Ter, 16 de Maio de 2012 15:03
Correria, colaboração do público e troca de informações entre jornalistas marcam cobertura de desabamento no RJ
Jacqueline Patrocinio
Parte de um sobrado antigo, na esquina das rua da Relação e
Lavradio desabou na manhã desta terça-feira, 15, por volta das 8h30, no
centro do Rio de Janeiro. O imóvel, que já foi utilizado como depósito
do tradicional bloco de carnaval Cordão do Bola Preta, estava
desocupado. O acidente contou com intensa cobertura da mídia, que
compareceu imediatamente ao local.
Dois repórteres de O Globo
contaram que saíram da redação às pressas sem saber exatamente do que se
tratava, e que numa hora dessas a melhor coisa a fazer é contar com os
colegas que chegaram primeiro, para se atualizar e procurar entender o
que está acontecendo. Como tudo aconteceu muito rápido, logo no início
do dia, os jornalistas estavam sem muitas informações e conversavam
muito entre si.
Moradores e comerciantes das proximidades
“apuraram” as informações e foram usados como fontes por alguns veículos
para relatar o ocorrido. Eles informaram que o prédio já havia sido
interditado devido à queda de um reboco, há dois meses.
A
imprensa, em geral, cobriu o desabamento com destaque. A Globonews
exibiu imagens ao vivo no ‘ Jornal Globonews – Edição das 10h’, com o
repórter Rodrigo Carvalho. Apesar de, segundo a Defesa Civil, ninguém
ter ficado ferido, alguns jornalistas exploraram o incidente de maneira
sensacionalista, referindo-se ao mesmo como “tragédia” e questionando
testemunhas sobre o susto levado, explorando as contribuições dos que
passavam no local.
Moradores ajudam, mas também atrapalhamHavia
muita gente no local, o que contribuiu bastante para o trabalho dos
jornalistas. As pessoas gostavam de falar e relatavam episódios
pessoais. Um senhor contou que uma placa do prédio já havia despencado
em cima dele.
O tumulto, no entanto, causou desordem, o que
atraiu muitos curiosos. Era comum ver pessoas passando atrás dos
jornalistas durante a gravação de tomadas e fazendo gestos, dando
sorrisos, mandando beijos. Uma repórter da Band precisou repetir a
passagem cinco vezes por causa do inconveniente.
Imprensa e o “déjà vu” sobre o desabamento da Treze de MaioOs
veículos exploraram a proximidade, de cerca de um quilômetro, e
relacionaram o caso desta manhã com os desabamentos ocorridos em
janeiro, na Avenida Treze de Maio, também no centro do Rio de Janeiro.
Na época, vinte e duas pessoas morreram na tragédia.
Pauta de comportamento em meio aos escombros Um
repórter aproveitou o intervalo entre entrevistas com autoridades da
Defesa Civil e de outros órgãos, para fazer uma pauta de comportamento
no local do desabamento. Em meio aos escombros, ele se dirigia a colegas
com um celular em mãos, questionando se preferiam fazer compras
sozinhos ou acompanhados.
Desabamento chamou a atenção da mídia (Imagem: Reprodução/Globonews)