Alimentação do gado deve ser suplementada durante estações frias.
Escala Noticias atualizado as 20h44min.
As precipitações e as
temperaturas próximas da média neste outono têm sido boas para o
produtor de leite e carne. Mesmo assim é preciso suplementar a
alimentação do gado, para atenuar a queda da produtividade. O alerta é
do pesquisador José Lançanova, do Instituto Agronômico do Paraná
(Iapar). “Nesse período o pasto fica ‘ralo’, falta comida para o gado
pela própria redução da produção da forragem de verão”, explica o
especialista.
O pasto supre boa parte das necessidades do animal de outubro a final
de abril. Depois desse período, começa a escassear. “O produtor tem que
contornar a situação com comida no cocho, um volumoso, que pode ser
cana-de-açúcar, silagem ou feno”, explica o pesquisador.
Ele diz que a escolha deve levar em conta os fatores regionais e os
objetivos do produtor. “Para a produção de leite é necessário uma
quantidade maior de ração e uma silagem para fazer o balanceamento da
dieta. Novilhas exigem menos alimentos”, reforça.
Em relação às diferenças de regiões do estado, Lançanova acredita que
a cana é uma boa opção para o norte e noroeste, em virtude da presença
de usinas e canaviais. “É preciso acrescentar ureia e sulfato de amônia
para elevar o teor de nitrogênio na cana. Ela tem apenas 2% de proteína.
Quando coloca esses outros componentes, você eleva esse nutriente para
7%”.
No centro-sul é possível ter pastagens no inverno, como aveia e
azevém. Ainda assim não dá para dispensar a suplementação. “A aveia tem
15% em média de matéria seca e muita água. É preciso dar um volumoso e
complementar com horas de pastejo, que varia de acordo com a
disponibilidade de alimento”, esclarece.
PREVENÇÃO – José Cripa, produtor em Francisco Alves, a 70 quilômetros
de Umuarama, noroeste do estado, adotou a silagem para passar os seis
meses de outono e inverno e acredita que sobrem 10 carretas. Cripa tem
dois alqueires, onde 27 vacas produzem 270 litros por dia, média que
pretende aumentar com o volumoso que produziu durante o verão. De abril a
setembro, ele alimenta o gado apenas com silagem, porque o pasto cresce
muito pouco. “A silagem é um pouco cara, mas pior que isso é ver o gado
sem comida”, resume.
O certo, segundo Cripa, é se preparar com muita antecedência. No
final de agosto do ano passado ele plantou milho e sorgo para garantir o
alimento para os animais. “Quando a gente tá saindo do inverno já tem
que pensar no outro”, orienta.
A realidade de muitas propriedades do noroeste do estado mudou depois
que o Iapar, em parceria com a Emater e prefeituras, realizou projeto
de transferência de tecnologia. A experiência deu certo e alguns deles
criaram a Cooperativa dos Produtores de Leite de Entre Rios (Coopeler).
Com isso, foi possível ter assistência técnica de um veterinário e um
agrônomo para aplicar as recomendações da pesquisa agronômica no dia a
dia das propriedades.
SI.