O brasileiro está mais
perto de ter uma banda larga para celular que funcione sem as limitações
do sistema atual. O governo realiza na terça-feira o leilão que vai
definir as operadoras da tecnologia 4G, sistema de internet móvel até
cem vezes mais rápido do que o 3G. Enquanto a velocidade da rede atual
varia de 1 a 2 megabytes por segundo (Mbps), a próxima geração terá
capacidade para operar com até 100 Mbps – a previsão, porém, é de que
operadoras comercializem serviços de 5 a 10 Mbps.
O cronograma de implementação da nova rede foi atrelado aos grandes
eventos esportivos do país nos próximos anos. Até maio do ano que vem,
as seis cidades que recebem a Copa das Confederações deverão contar com o
serviço. Em Curitiba, a tecnologia chega até o fim de 2013, data-limite
para a oferta em todas as sedes da Copa do Mundo de 2014 (confira o
cronograma completo no gráfico).
O governo “amarrou” o leilão do 4G, que usará a faixa de frequência
de 2,5 GHz, à cobertura de internet e telefonia na zona rural, da faixa
de 450 MHz. Foi a maneira encontrada para garantir o cumprimento das
metas do Plano Nacional de Banda Larga – atingir 4.278 cidades com
internet até 2014. Caso não haja interessados em operar a banda larga
rural, os vencedores da faixa de 2,5 GHz terão de obrigatoriamente
assumir o serviço.
A vinculação entre as duas frequências pode ser a responsável pelo
baixo número de operadoras interessadas no leilão – a Anatel previa a
entrada de grupos que ainda não atuam no mercado brasileiro, mas apenas
um enviou proposta, a Sunrise, controlada pelo fundo de investimento do
magnata George Soros. TIM, Claro, Oi, Vivo e Sky são os outros
concorrentes.
Preço dos celulares
Para analistas, a chegada do 4G terá alcance limitado no início. O
preço dos aparelhos equipados com a tecnologia é apontado como um dos
grandes entraves para a popularização do serviço. “Será pouco acessível
ao usuário por causa do preço dos dispositivos. Os aparelhos com 4G têm
uma escala mundial ainda baixa e preços altos”, diz Eduardo Tude,
presidente da consultoria Teleco, especializada em telecomunicações. Um
levantamento recente da associação americana 4G Americas mostrou que
menos de 1% das pessoas que têm celulares em todo o mundo utilizam a
rede 4G, cerca de 7,4 milhões de usuários, a maior parte nos EUA e na
Europa.
Para tentar reduzir o preço dos equipamentos, o governo estuda
incluir os smartphones na Lei do Bem, como foi feito com os tablets no
ano passado. A legislação desonera computadores fabricados no país. Um
estudo está sendo conduzido pelo Ministério da Fazenda para avaliar a
opção, de acordo com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.
Qualidade
A chegada do 4G deve significar uma melhora na qualidade do tráfego
de dados no país, alvo constante de reclamação dos usuários de
telefonia. “Em muitos casos, apenas 1% dos usuários ocupam 30% da
capacidade de tráfego da rede. São os heavy-users, os consumidores que
têm a maior probabilidade de migrar para a nova rede. Isso vai acabar
desafogando o 3G”, diz Tude.
O Brasil vem observando um crescimento explosivo do uso de dados por
celular. Até o fim de 2011, 17% dos brasileiros acessavam a rede por
meio de celulares. No ano anterior, eram apenas 5% – um crescimento de
340%, de acordo com dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Os 17%
mostram que o espaço para crescimento da rede 3G ainda é grande, e o
foco das operadoras deve ser em expandir esse serviço, de acordo com o
analista de telecomunicações da Frost & Sullivan, Renato Pasquini.
“As empresas de telefonia ainda têm muito a evoluir com a rede 3G. A
Claro, por exemplo, que conta com a rede 3G+, até três vezes mais
rápida, possui o serviço pronto para mais de 700 cidades. Com uma rede
similar a atual, consegue oferecer muito mais velocidade. É natural que
vá explorar isso”, diz.
Compatibilidade
A frequência a ser usada pelo 4G no Brasil, de 2,5 GHz, é similar ao
padrão europeu e chinês, mas diferente do americano. Nos EUA, a faixa
utilizada vai de 700 MHz a 2,1 GHz. Por causa disso, aparelhos como o
novo iPad não funcionarão aqui. O governo já estuda a viabilidade de um
novo leilão da faixa de frequência de 700 MHz.

Gazeta do Povo