
Escala Noticias atualizado as 20h37min
Coluna Calhambeques 02 Um guarapuavano no Classic Motor 2012
Um
encontro de carros antigos é também uma reunião de apaixonados. Se
aparecer muita gente, melhor, porque todos então compartilham essa
paixão mesmo que seja por algumas horas. Se não aparecer ninguém, não
tem problema, por que os próprios carros, em sua existência material e
imemorial, preenchem os corredores de história. É como se fosse um
grande pedaço ambulante de passado.
E por um grande pedaço de
sorte, parei em Chapecó, no simpático e convidativo oeste catarinense.
Em companhia dos meus caros amigos Francismar Formentão e Silnei
Scharten Soares, pude acompanhar a chegada de alguns dos automóveis que
ocuparam os três salões do Classic Motor 2012, um importante evento de
carros clássicos,
hots e
sports do sul do país.
Nesta
segunda edição da coluna Calhambeques, antes mesmo de começarmos pelos
rodantes das terras geladas de Guarapuava, quero deixar fotos desses
autos. Para evitar falar mais do que as imagens, vou comentar alguns
dos modelos apenas na medida do é que interessante, OK?

Um
dos primeiros veículos a chegar foi esse belíssimo Mercury Cougar, o
‘matador de dodges’. Esqueci de pegar o ano do carro, mas, considerando
que se trata de um modelo de primeira geração, certamente está entre
1967 e 1970 (EUA). Se observarmos o capô, que avança sobre a grade mais
do que no modelo 69 e menos do que no 70, chuto que é uma versão de
1968, até porque não tem aquela entrada de ar no capô e a linha
descendente na lateral, que começa no paralama dianteiro, atravessa a
porta e termina no paralama traseiro. É um belíssimo carro, igualmente
raro e caro. Dependendo do estado de conservação, seu preço pode
chegar à R$ 90 mil.

Este
pequenino em cima do caminhão é um bonito exemplar do Fiat 600, o
bisavô desse moderninho invocado que roda atualmente. Foi apresentado
nos anos 50, no contexto do pós-guerra, quando as montadoras estavam
buscando desenvolver carros para as famílias… ‘menos favorecidas’. O
resultado foi um grande sucesso, tanto que até os anos 80 ele foi muito
popular na Espanha, mesmo que por lá tenha saído com o nome Seat 600.
Por mais que não seja o suprassumo da beleza, essa coisinha faz até 25
quilômetros por litro. Não reparei bem a frente desse modelo, mas parece
ser o importado da Europa. Na América do Sul a grade era um pouco
diferente. Modelos bons para restauração podem ser encontrados por uns
R$ 20 mil. Para saber mais sobre esse carro, você pode acessar esse
link:
http://quatrorodas.abril.com.br/classicos/grandescarros/conteudo_296519.shtml

O
MP Lafer tem cara de estrangeiro, mas é brasileiro. A semelhança, na
verdade, não é segredo. Esse tupiniquim é praticamente uma cópia do
clássico inglês MG TD 1952. A versão brasileira, produzida por Percival
Lafer, foi lançada em 1974 e fabricada até meados de 1990 na fábrica em
São Bernardo do Campo. As cerca de 4900 unidades eram todas em fibra
de vidro, tendo por base a mecânica do fusca. Mas não se engane, não
era tão barato quanto pode parecer. Somente gente da grana tinha um
desses nos anos 70. E o sucesso foi tão grande que países como Canadá,
França, Itália, Japão e, sobretudo, Estados Unidos importaram algumas
centenas de unidades. Hoje, o MP está ‘rareando’ e, consequentemente, o
seu preço está subindo. Valores como R$ 30 mil e R$ 40 mil não são
mais estranhos quando associados a esses carros. Cuidado, MP Lafer na
faixa dos 15 mil ou 20 mil PODE ser réplica ou sinônimo de um carro bem
detonado.

O
resultado é um mecanismo de válvulas mais simples, que dispensava
sistemas de transferência de movimento do virabrequim, como as varetas
longas e balanceiros. Nesse sistema, as válvulas eram empurradas
diretamente contra o cabeçote. Era um projeto bastante simples e que
gerava muito torque para os carros de luxo da época. Entretanto, a
potência era baixa e não ajudava nas viagens de longa distância e na
velocidade (apesar de que, naquela época, poucas rodovias permitiam alta
velocidade). Outro problema é que o bloco sofria muita pressão e o
sistema de arrefecimento nem sempre dava conta, o que resultou em muitos
blocos trincados. Se alguém se interessar, tem um cara com um Mercury
do mesmo ano para vender. À vista deve sair por uns R$ 23 mil, mas
precisa de uma restauração completa.

Esse
aí é uma raridade, ainda mais com Placa Preta, ou seja, com mais de
80% de originalidade. Trata-se de um Chevrolet Bel Air 1955, que é o
ano em que começaram a fabricar nos EUA a segunda geração de Bel Airs,
que seguiu até 1957. Esse modelo veio com motor V8, de carburação dupla,
que conseguia 4340 cilindradas, o que rendia cerca de 160 cavalos. Os
que vinham com o pacote Power Pack, eram equipados com um carburador
quádruplo que conseguia até 180 hp. O modelo trazia um visual mais clean
do que os seus concorrentes Plymouth Savoy e Ford Crown Victoria e
esse era um significativo diferencial. O resultado foi um sucesso de
vendas por muitos anos.
Tinha muita coisa no Classic Motor Show.
A frase é clichê, mas é verdade. Belos exemplares do Ford Corcel e de
seu primo bombado, o Mustang dos anos 60. Além de um Alfa Romeu aqui,
alguns Karmann-Ghias ali, e até uma linda banheira de luxo que a Ford
intitulou de Galaxie 500.
No último pavilhão, alguns caminhões e
várias pick-ups Willys, Fords e Chevrolets. Em outro, motos, Fuscas,
Jeeps, Pumas, pés de bode dos anos 20 e 30,
hot-rods e uma
dezena de Opalas. Tudo isso fez com que os dois carros novatos no
evento, um Chevrolet Camaro SS, e uma Ferrari F430, em meio aos
senhores, parecessem crianças choronas em busca de atenção.
SOBRE O AUTOR
Anderson Antikievicz Costa
é jornalista, designer e fotógrafo. Dirige um carro mais velho do que
ele e vive bem com isso. Nasceu no dia do Patrimônio Histórico e
acredita que as coisas velhas são as mais legais.
SOBRE A COLUNA
O espaço
Calhambeques
é para amantes de carros. A ideia é contar a vida dos carros clássicos
e hots de Guarapuava. Essas informações podem ajudar quem está com
dúvidas sobre restauração ou mesmo quem está procurando o primeiro
carro para reformar. Se quiserem ser informados quando a coluna for
atualizada, envie um e-mail para
naoentreempanico@gmail.com
com o assunto Coluna Calhambeques, e no corpo da mensagem deixe seu
nome para contato. Comentários, perguntas e indicações serão sempre bem
vindas.
Redação Escala Noticias
SI