Vítima do "canibal" de Miami revela detalhes do ataque sofrido nos EUA
12/08/2012 - 14h58min |
do
BOL
À esquerda, Ronald Poppo, vítima do 'canibal de Miami', é
amparado por funcionários de hospital nos EUA (ago.12); à direita, foto
de Rudy Eugene, o homem que devorou o rosto de Poppo e foi morto pela
polícia
EFE
Miami, 9 ago (EFE).- O indigente de Miami a quem um homem devorou
grande parte do rosto disse que seu agressor o atacou brutalmente sem
que ele o provocasse arrancando-lhe "a carne em pedaços" e que lhe
"tirou os olhos", enquanto gritava que ambos os morreriam, segundo as
declarações fornecidas a detetives que foram obtidas com exclusividade
pelo canal local "CBS4".
Assim declarou Ronald Poppo aos detetives de homicídios da Polícia de
Miami, Altarr Williams e Frankie Sánchez, no dia 19 de julho.
Poppo, que ficou cego, sofreu o ataque no dia 26 de maio quando Rudy
Eugene, conhecido como o "canibal de Miami", lhe destroçou com os dentes
mais de 50% do rosto em uma rampa de uma transitada estrada desta
cidade.
Eugene, nu, atacou Poppo, que também estava sem roupa, e lhe arrancou
além de grande parte da testa, uma bochecha e o nariz, antes que a
Polícia conseguisse frear o ataque disparando várias vezes contra o
agressor que morreu no local.
"O senhor Eugene não tinha nenhuma arma. Não usou nenhum tipo de arma
contra mim. Basicamente estava usando a força bruta", afirmou nas
declarações.
A Polícia suspeitava que Eugene, de 31 anos, atuou sob os efeitos de
drogas sintéticas, mas os exames de toxicologia não acharam indícios
disso, só que tinha consumido maconha.
No interrogatório com os detetives, o indigente relatou que Eugene se
comportou como se "estivesse louco", gritava "você vai morrer" e depois
bateu seu rosto contra o chão e tentou estrangulá-lo com "uma chave de
luta livre, enquanto ao mesmo tempo estava tirando meus olhos".
O indigente, de 65 anos, que está em reabilitação em um centro médico
após ser submetido a três cirurgias para enxertar pele nos graves
ferimentos que sofreu, expressou que antes do ataque lhe pareceu que seu
agressor era um "bom tipo".
"Por um curto de tempo pensei que era um bom tipo. Mas se tornou louco.
Aparentemente não tinha tido um bom dia na praia, ele estava de volta, e
suponho que decidiu se vingar em mim, não sei", disse.
Acrescentou que Eugene tinha expressado frustração porque não tinha
conseguido o que procurava em Miami Beach, mas o agressor não lhe deu
detalhes a respeito.
Também o acusou de ter roubado sua bíblia e Poppo assegurou que nunca a
viu durante o ataque. As autoridades encontraram páginas da bíblia na
cena do incidente.
A vítima, segundo as declarações aos detetives, mostrou estar confusa
sobre alguns detalhes do incidente já que disse que Eugene estava
vestido quando o atacou e em um vídeo onde ficou registrado o incidente
se observa o agressor sem roupa.
O chamado "caso do canibal" foi gravado por uma câmera de segurança do
jornal "The Miami Herald" já que o incidente ocorreu ao sul de sua sede.
Outra das contradições é que Poppo disse aos detetives que Eugene
chegou de repente ao local onde ocorreu o ataque, mas no mesmo dia em
que ocorreu o fato declarou a agentes policiais que seu agressor lhe
comunicou: "Você vai ser minha mulher e este vai ser um encontro de
amantes", parafraseando o título de uma canção.
Poppo, que viveu nas ruas por 30 anos, foi submetido em junho a três
cirurgias no Rayder Trauma Center do hospital Jackson Memorial de Miami
para limpar os ferimentos que infeccionaram e para colocar pedaços de
sua pele da área da testa e da cabeça para "cobrir os olhos".
"Não sabemos quantas cirurgias mais serão necessárias. Isto será um
processo longo de recuperação e requereria muitas até ver onde se pode
chegar com a reconstrução do rosto", disse nessa ocasião Jorge Delgado,
enfermeiro de trauma, que integrava a equipe médica que atendeu Poppo.
O indigente foi um estudante brilhante de uma escola secundária
particular de Nova York e queria ser presidente dos EUA, segundo a
imprensa local.
Redação Escala Noticias
Fonte BOL