19/11/2012 | 20:27:21 Escala Noticias
O excesso de peso nos
caminhões que trafegam no Paraná é um fardo pesado demais para as
rodovias. A conclusão é de um relatório elaborado pelo Departamento de
Estradas de Rodagem (DER). Veículos com carga acima do permitido, além
de favorecerem a ocorrência de acidentes, são em grande parte
responsáveis por danos no pavimento das estradas. A prática causa ainda
aumento do consumo de diesel e desgaste mais rápido nos veículos,
especialmente pneus e suspensão.
A pesquisa foi feita por iniciativa da Superintendência Regional
Campos Gerais, com sede em Ponta Grossa, em postos de balança
localizados em várias regiões do Estado, segundo informa Vanderlei
Carlos Zanella, do setor de concessões do DER. O levantamento, com base
em estudos do engenheiro Rubem Penteado de Melo, indica que transportar
cargas além do peso permitido, com a intenção de melhorar o desempenho,
também reduz a oferta de fretes, prejudicando a categoria como um todo.
Conforme a Coordenadoria de Engenharia de Tráfego e Segurança
Rodoviária do DER, de janeiro a junho de 2012, do total de 14.233
pesagens efetuadas em veículos de carga, 9% acusaram excesso de peso, ou
seja, 1.221 caminhões trafegavam acima do volume de carga permitido. A
estatística é dos postos de pesagens de cinco regiões do Estado (CETs,
Campos Gerais, Norte, Noroeste e Oeste). O DER emitiu multas de R$
1.027.820,99 por excesso de peso, no período.
Para os técnicos, as estatísticas que afirmam que 90% dos acidentes
são causados pelos motoristas são uma simplificação, pois entre as
causas “não identificadas” está o excesso de carga nos caminhões.
Segundo o estudo, 45% dos caminhões reprovam nos testes de freio.
EIXOS A MAIS – Uma das irregularidades constatadas é o aumento
irregular dos eixos dos caminhões de sete (bitrens) para nove eixos
(bitrenzão), com 19,8 metros, fora dos padrões, com excesso de
comprimento e principalmente de peso. A transformação é feita, em geral,
sem que haja qualquer estudo a respeito da capacidade de frenagem e de
peso, o que resulta em graves acidentes e aumento na manutenção das
rodovias.
Os custos de restauração do asfalto, além dos problemas com
segurança, segundo Zanella, são repassados a toda a sociedade e
encarecem os produtos e serviços, inclusive a conservação das rodovias
do Anel de Integração. Apenas em situações especiais o Código Brasileiro
de Trânsito (CTB) autoriza transporte de cargas com peso e dimensões
excedentes, a critério do Conselho Nacional do Trânsito (Contran).
Entre os impactos que o excesso de peso traz para a atividade está a
redução da frenagem e o superaquecimento. A eficiência do sistema de
freios é dada pela relação entre o peso do conjunto e a sua capacidade
de frenagem. Se o veículo leva peso acima do normal, os riscos aumentam
com a queda na capacidade de desaceleração.
TOMBAMENTOS – O excesso de peso também prejudica a estabilidade do
veículo, aumentando o risco de tombamento, além de comprometer a
dirigibilidade. Para uma mesma manobra, um caminhão com excesso de peso
pode tombar em uma velocidade em que um caminhão com carga normal não
tombaria. Veículos irregulares, com cargas perigosas, também levam
grande risco para todos os usuários.
Os veículos com cargas acima do peso especificado causam danos ao
pavimento e às pontes e deixam trilhas de rodas ou afundamento da pista,
que interferem na dirigibilidade de veículos menores (automóveis e
motocicletas) e dos caminhões, favorecendo acidentes. Esses “rastros” no
asfalto propiciam o acúmulo de água e perda de controle dos condutores,
além da quebra da suspensão, entre outros incidentes.
Sem levar em conta os danos a terceiros e ao patrimônio público, a
carga em excesso prejudica os próprios caminhões modificados, causando
danos na suspensão, comprometendo feixes de molas, originado quebras em
ponteiras de eixo, assim como trincas ou empenamentos em chassi.
REN
SI